
De uma calçada no Recife para o infinito! Um herói suburbano em uma missão espacial movida por sonhos e invenções impossíveis. Entre cartas de saudade uma odisseia lírica funde ciência e poesia para explorar as fronteiras da amizade e do pertencimento. Veja mais.
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Os temas da amizade e da memória, embrulhados no papel estrelado da ficção, Atravessando um Recife povoado de fantasmagorias e presságios, com seus becos e pontes noturnas. A visagem de uma moça de branco assombra um velho professor universitário e num labirinto de mistérios.
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Uma narrativa entrelaçada de poemas e crônicas, em que me valho do fio da memória e da invenção para falar do bairro em que cresci, num Recife mítico, atravessado de enchentes, assombrações e amizades; escondido sob as camadas de gentes, acontecimentos, que eu tento adivinhar.
Eu escrevo sobre Recife. Eu escrevo Recife. Escrever é desenhar a cidade, demarcar espaços ou dissolvê-los na água salobra do mangue soterrado. Minha mãe disse: se você cavar, aparece água. E é verdade. Recife é como uma estrutura flutuante, sobre um magma de terra escura, de onde a água aflora. Recife, essa palavra molhada que escrevo. E o Capibaribe arrasta com ele a cidade; tudo se desloca ao seu movimento sinuoso.
Escrevo meu bairro, minha rua longe do rio e perto do mar. Não tão perto, mas o suficiente para para que a maresia devore a lataria das coisas. Entre o mar e os rios Recife boia e se move. “No entanto, move-se”. Move-se porque a escrevo.
Meus livros são uma das muitas manifestações da cidade.

